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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009, 10:52:16.42933
»Feliz "Encontro em Telêmaco Borba"
Escrito por José de Bortoli Filho - " O Banco do Brasil em Telêmaco Borba na visão dos "Funcionários Pioneiros"
por: AFABB-PR
 

ENCONTRO EM TELÊMACO BORBA (PR)

Aproveitando a feliz idéia do colega José de Bortoli Filho, representante da nossa Associação em Ponta Grossa (PR), a AFABB-PR incentivou e promoveu o 1º Encontro de Funcionários Aposentados que trabalharam na agência do Banco do Brasil na cidade paranaense de TELÊMACO BORBA, evento que aconteceu no dia 03.12.2009 naquela cidade.

      Sob o título “O BANCO DO BRASIL EM TELÊMACO BORBA NA VISÃO DOS FUNCIONÁRIOS PIONEIROS”, o colega BORTOLI escreveu uma bela reportagem, aqui transcrita literalmente, onde, com a maestria que lhe é peculiar relata, numa linguagem alegre, descontraída e bem humorada, a própria história do nascimento de uma cidade mesclada com um segmento da história do Banco do Brasil. Vale a pena ler.

Boa leitura.
AFABB-PR.
 

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          O BANCO DO BRASIL EM TELÊMACO BORBA

          NA VISÃO DOS FUNCIONÁRIOS PIONEIROS

 

  Texto produzido por José de Bortoli Filho, por ocasião do

  I Encontro de Funcionários Aposentados que trabalharam na

  agência de Telêmaco Borba – Paraná

  realizado em 3 de dezembro de 2009 em TB

  promovido pela AFABB-PR, coordenado pelo colega Areco

 

  1 – Viagem de Curitiba a Telêmaco dos colegas:

      Areco, Delcides, Nilda, Sônia Regina, Machado,

      Aramis, Ivolino, Derosse, Andretta, Bortoli, Élsio,

      e Pedrollo.

 

  2 - Confraternização no Harmonia Clube com a participação

      dos colegas acima relacionados, mais:

      Maria Bernardete, Silveira, Jussara, Carmo, Maria Jurack,

      Arildo, Bereza e Gonçalo.

 

  3 – Visita à agência onde fomos recepcionados pelo colega

      Alcemir Francisco Martins - Gerente Geral, e demais

      Funcionários.

 

  4 – Muita alegria, muitas histórias, recordações, risos,

      fotos, abraços, enfim, só felicidade. A esperança é que

      nos reencontremos em breve, com a adesão de muito mais

      companheiros.

 

Éramos 10 garotos. Não tínhamos muita prática de banco mas muita

garra e disposição para trabalhar. Dez guris numa cidade, apesar de

acolhedora, estranha, poeirenta, mal-cheirosa. Dez rapazes "se virando"

em pensões e repúblicas, longe do aconchego de seus lares, mas com muita

motivação para avançar na profissão que estavam abraçando. Cuidando para

que tudo andasse nos conformes havia os mais velhos: Gerente, Sub-Gerente, Chefe da Creai (Carteira de Crédito Agrícola e Industrial) e Investigador de Cadastro. Total 14 funcionários para muito, mas muito trabalho, pois tudo era feito mecanicamente. Não tínhamos nem calculadora; só "somadoras", com suas enormes alavancas, e máquinas de escrever. E muito papel, muita fita, bobinas, esferográficas (bic), carbonos, borrachas, para escrever e também para apagar quando "batia" algo errado. O atual A4 era o 03/14, papel para toda e qualquer obra, que era "requisitado" com moderação: 10 ou 15 folhas por vez.

 

Esses 14 sabiam da importância de estarem alí. Sabiam que a partir

do momento que abrissem as portas da nova agência, no dia 3 de julho de

1967, estariam prestando os mais relevantes serviços à quase desconhecida

Telêmaco Borba, então com apenas 3 anos de município. Daquela segunda-feira em diante, muitas e muitas oportunidades para comerciantes e industriais estariam aflorando naquela nova cidade e nós, os funcionários do Banco do Brasil, sabíamos que teríamos fundamental e decisiva importância na concretização dos empreendimentos que vislumbravam. E assim foi que, Teigão, Laurentino, Feltrin, Pagnozzi, apoiados pelos então marinheiros de primeira viagem, mas já diplomados em estagios em outras agência, ou seja, os jovens: Andretta, Lorusso, Bismark, Ivolino, Vilmar, Antônio Carlos, Derosse, Ruy, Lourival, Juarez, e Bortoli (veio no lugar de A. Carlos),implantaram e plantaram as sementes que iriam impulsionar Monte Alegre.

 

Sem esse impulso seria Telêmaco Borba a grande cidade que é hoje?

Pois o que fora a nós atribuído, que era impulsionar o progresso daquela

promissora e respeitável cidade, nós conseguimos.

 

Não podíamos ter sido recebidos de forma melhor: logo estávamos

inseridos na sociedade, nos meios comerciais e industriais, na área

rural de vários municípios já que a jurisdição de Telêmaco se estendia

lá da divisa de Apucarana, da divisa de Pitanga, da divisa de Ponta Grossa, e da divisa de Ibaiti, pois não há como citar exatamente os nomes dos municípios que naquela época eram poucos mas enormes, e que, hoje

estão subdivididos de tal forma que seria difícil uma explicação

geográfica.

 

Mas o que importa é a semeadura: muitos e muitos estabelecimentos

e pessoas físicas receberam o impulso ao qual nos propúnhamos e assim

desenvolveram suas atividades; multiplicaram-se os capitais e os lucros,

beneficiando a muitos, inclusive com a geração de muitos postos de

trabalho. Nossos ideais se concretivam com rapidez; as pessoas olhavam

para aqueles rapazes de camisa social branca, mangas longas, gravata,

calça e sapato sociais, cultos e instruidos e não cessavam de nos

mimar com seus sorrisos e convites para bailes, jantares e festas.

Nenhum de nós tinha carro e, muitos nem sequer sonhavam com a

possibilidade de tê-lo, até que, pimba, o Bortoli adquiriu um fusquinha,

placa 49-49-49, de Reserva, que fora de um famoso cirurgião dentista

de Telêmaco, Dr. Tranquilino.

 

A agência era na avenida Samuel Klabin, 799 (antiga av. Apucarana),

onde hoje é a Big Jet Informática. Cresceu rápido e novo

contingente de funcionários começou a chegar. Desta vez uma surpresa:

a admissão de funcionárias, 4 na primeira leva. Entre os

funcionários os hábitos tinham que mudar: nada de palavrões, piadinhas,

nada que pudesse incomodar as colegas. Mas a adaptação foi fácil

porque eram elas muito queridas e compreensivas, e não demorou a

rolar os namoros e até casamentos.

 

Depois vieram mais moços e moças; vieram novos administradores;

até aos que estão hoje, dando continuidade com muita eficiência,

à tarefa de impulsionar o Brasil através do BB.

 

Ser funcionário do Banco do Brasil não é só trabalhar no BB,

é fazer parte do progresso da nação.

 

Mais de uma centena de colegas já passaram pela agência de

Telêmaco Borba e, todos, temos certeza, gostariam de vir aqui e abraçar

calorosamente cada um dos que estão na ativa; abraçar como filhos,

sucessores, herdeiros dessa missão maravilhosa do BB em prol da nação.

 

Ainda que muitos achem que ao Banco só interessa o lucro, a

certeza é que, trabalhando no BB não há como não participar do

crescimento das comunidades, pois, graças a Deus, é esse o papel

principal  do maior Banco do Brasil.

 

Para aqueles 10 moços, meninos ainda, a relação com o BB começou

em agosto de 1965, quando foram abertas as inscrições para o concurso

para Auxiliar de Escrita Ref. 050. O tempo para estudar foi curto,

(sorte que a gente já vinha estudando há tempos), pois em

25 de setembro de 1965, um sábado, fazíamos a prova escrita e no

domingo o teste de datilografia. Sim, não bastava passar nos testes de

matemática, portugues, história do Brasil, inglês ou francês, ainda

tínhamos que provar que não éramos meros catadores de milho (como se

dizia na gíria a quem não sabia datilografar). O resultado do concurso

saiu logo para quem fez a inscrição no interior. De não-sei-quantos-mil que fizeram o concurso em Ponta Grossa, vindos de todos os cantos, pois só teve provas em Curitiba, Ponta Grossa e Londrina, só 40 foram aprovados. Logo tiveram início as nomeações, todas para as mais longíquas regiões do Paraná, numa época que as estradas...  Meu Deus do Céu, era só

barro e noites e dias ficávamos dentro dos ônibus encalhados...

Não dava para matar as saudades de casa tão fácil. Solidão, incertezas, medos, tudo isso fazia parte da aventura que aqueles jovens passaram a enfrentar, sem nunca terem sequer imaginado pelo que iriam passar, mas que encararam com alegria, trabalharam, aprenderam, estudaram, fizeram carreira, alguns chegaram a altos cargos no Banco e hoje, bem, hoje, estão merecidamente gozando da aposentadoria.

 

Dos aprovados em Curitiba, alguns, precisamente 8,

foram nomeados para Telêmaco Borba. Telêmaco o que?

É!, Telêmaco Borba, uma cidade que nem constava no mapa. Talvez constasse

como Monte Alegre, Cidade Nova... Ninguém sabia direito mas

foram nomeados e iriam, com o maior prazer! Antes fizeram estágios em Castro, Ibaiti, Guarapuava,para chegar em Telêmaco afinadinhos com os serviços. E assim a agência passou a funcionar:

 

Dia 01.07.1967, sábado, cerimônia de inauguração e recebimento

dos primeiros depósitos (com data de 03.07.1967, segunda-feira).

O depósito número 1 coube ao colega Ramon Pasqual Pons,

que era chefe da Creai (Carteira de Crédito Agrícola e Industrial)

de Castro, e que veio especialmente para a inauguração da agência.

- Fazemos esse registro em homenagem ao Ramon

e gostaríamos imensamente que ele viesse a saber que está sendo

homenageado.

 

No caixa (de gaiola, isto é, um cubículo todo aramado em

que ficava o caixa e seu numerário) o colega Andretta dava as boas vindas

a todos, cativando com sua simpatia e mostrando para os telemacoborben-

ses que o Banco do Brasil viera pra ficar e era para eles.

 

Naquele tempo haviam as CIC - Codificação das Instruções Circulares,

e tudo que fazíamos estava minuciosamente normatizado ali.

Tudo devia ser feito dentro do previsto nas Cics, e, para uma

busca mais rápida, o Andretta criou o que veio a ser conhecida

como a Cicquinha do Andretta, que eram as anotações que

ele fez durante o estágio em Castro.

 

Logo aqueles meninos começaram a namorar, casar. Casou

o Juarez em 1967 e nasceu a Tânia em 14.09.1969, a primeira filha de

funcionário do BB nascida em Telêmaco. Já havia a Gisele,

filha do Pagnozzi, mas que veio para Telêmaco com uns 2 aninhos.

Depois nasceu a Priscila, filha do Bortoli, em 11.03.1970,

as do Andretta, do Derosse e Sonia, Machado e Nilda e assim por diante.

 

Um fato a destacar, é que Telêmaco tinha uma agência-mãe! (nada

estranho para o gerente; mais ou menos normal para nós que não

atinávamos muito bem que negócio era esse de “agência-mãe”). Nossa

agencia-mãe era a agência de Ponta Grossa, de onde Telêmaco se

desmembrou, e de onde o gerente, o Teigão, provinha  e assim

qualquer dúvida ligava pra Ponta Grossa para saber como é que as

coisas eram feitas por lá.

 

Porém, o mais importante é hoje! E hoje Telêmaco Borba conta com

esse pessoal maravilhoso que aí está, a quem rendemos as nossas

homenagens, por serem os nossos sucessores e por continuarem a luta, bela

e empolgante de cada vez mais engrandecer o nome do nosso querido

Banco do Brasil.

 

Quanto à cidade, deve-se destacar que Telêmaco Borba passou

a ser município em 21.03.1964.

O nome deve-se ao Coronel Telêmaco Enéias Augusto Moracines Borba,

desbravador e colonizador, colecionador e escritor, da região do

Vale do Tibagi.

 

Telêmaco tem aproximadamente 100.000 habitantes e é o SEXTO maior

polo industrial do Paraná, com cerca de 80 indústrias, sendo a

Klabin uma das maiores do mundo no ramo de papel.

 

O BB em Telêmaco Borba:

Inauguração: 01.07.1967 (sábado) – Primeiro expediente: 03.07.1967

A cidade tinha aproximadamente 18.000 habitantes.

Nenhuma rua pavimentada. Luz e água eram fornecidas pela Klabin,

de graça. Harmonia era bela e charmosa com as finas residências e o

hotel Ikapê, o clube Harmonia, o CAMA - Clube Atlético Montealegrense.

Ressalte-se que, antes de ser Telêmaco Borba a cidade era Monte Alegre,

distrito de Tibagi. E o CAMA foi campeão paranaense de futebol.

Telêmaco também era conhecida por Cidade Nova, ou Monte Alegre, e

era dividido em Harmonia e Cidade Nova.

 

Logo após a inauguração do BB, a cidade passou por grandes transforma-

çoes. Foram asfaltadas quase todas a ruas e a iluminação pública

sobrassaiu-se de tal maneira que a cidade foi considerada a mais bem

iluminada do Brasil. Veio a Sanepar e a Copel, enfim Telêmaco agora era

"cidade", e isso em dois ou três anos. Tudo graças à arrecadação de

Impostos, principalmente da Klabin, e à nova sistemática de distribuição

do Fundo de Participação dos Municípios, que fez jorrar dinheiro para

Telêmaco, que enfim se viu no lugar de destaque que merecia. Nós do BB

participávamos intensamente desse progresso, pois todo o dinheiro

necessário a tantas transformações, passava pelas nossas mãos.

 

Os funcinários pioneiros:

- os experientes:

  Apolinário Teigão Junior - Primeiro Gerente

  Laurentino Beu Filho - Primeiro Subgerente

  Osvaldo Feltrin - Chefe de Serviço da Creai

  Luiz Carlos Pagnozzi - Investigador de Cadastro

 

- os garotos:

 Antonio Roberto Andretta - Caixa

 João Carlos Lorusso

 Bismark Menezes de Souza

 Ivolino Antunes dos Santos

 Eraldo Vimar Hansauel

 Antônio Carlos Ribas

 Derosse Pinheiro da Silva Júnior

 Ruy de Lacerda Montenegro

 Lourival Antonio dos Santos - Contínuo

 Juarez Justus - Contínuo

 José de Bortoli Filho (que veio no lugar do Antonio Carlos Ribas)

 

 Escrito por José de Bortoli Filho

 

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