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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010, 20:26:30.045654
»Paraná já registra queda de 22% nos casos de tuberculose
Campanha de combate à doença será reforçada em todo Paraná com a distribuição de 200 mil folders e 3 mil cartazes especiais, além de faixas, banners e reuniões com entidades parceiras.
por: AFABB-PR
 
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SAÚDE

       Com um evento na sede da Secretaria de Estado da Saúde, o Paraná deu início nesta sexta-feira (23) às atividades do dia Mundial de Combate à Tuberculose. A diretora do Departamento de Vigilância e Pesquisa, Vera Drehmer, representando o secretário de saúde, Cláudio Xavier, fez a abertura oficial da campanha.

       Durante a abertura, ela apresentou os dados relativos à doença no Paraná, onde houve uma reduziu em 22% no número de casos novos da doença nos últimos quatro anos. O coeficiente de incidência de tuberculose de todas as formas passou de 29,89 em 2003 para 23,20 para cada grupo de 100 mil habitantes em 2006 (dados preliminares).

       Conseqüentemente, o coeficiente de mortalidade caiu de 2,06 para 1,55 no mesmo período para cada grupo de 100 mil habitantes. Uma redução de 24,02%. Em 2006, segundo dados preliminares, foram registrados 2.410 casos novos da doença no Estado.  Vera revelou que o combate à tuberculose só funcionará se todos fizerem sua parte. “É um envolvimento de todos, tanto dos órgãos governamentais, quanto da população”, disse.

         A coordenação estadual de combate à tuberculose encaminhou para todas as Regionais de Saúde 200 mil folders e 3 mil cartazes especiais, além de faixas, banners e reuniões com entidades parceiras. O objetivo é manter a população informada sobre a doença e a importância de se cuidar e do tratamento. A conscientização é a melhor forma de tratamento e de cuidado na doença.

       A coordenadora do Programa Estadual de Combate a Tuberculose, Elisabeth Sens, informou que um terço da população está infectada com o bacilo tuberculose. Ela explica que é importante atuar em todas as áreas e mostrar para a população a importância dos cuidados e tratamento. “A prioridade de ação é com os moradores de rua e de baixa renda, portadores do vírus do HIV e dependentes químicos, que são os que mais abandonam o tratamento”.

         Para o coordenador da força tarefa e representante do Programa Nacional de Controle a Tuberculose, Cláudio Romano, este é um momento de reflexão e de consciência. “É necessário reunir forças e superar os problemas da tuberculose”. Ele explica que é necessário que população procure uma unidade de saúde para o tratamento assim que apresentar os sintomas. “As pessoas procuram o serviço de saúde tardiamente”.

         Já o presidente da Sociedade Paranaense de Tisiologia e Doenças Torácicas, Rodney Fraire e Silva, conta que o Brasil está entre os 22 paises no mundo que representam 80% dos casos. Ele enaltece que a participação e a decisão no combate a doença é motivo de satisfação para a sociedade. “É necessário que todos trabalhem para acabar com a tuberculose no país. O respeito ao bacilo, o engajamento da população e a ação de todos são papeis importantes na luta”. Rodney conta que os programas sociais existem, os médicos conhecem a doença e o que é necessário é uma abertura do Sistema Único de Saúde para o indivíduo busque ajuda. O Paraná está entre os estados que tem o índice mais baixo da doença.

         A coordenação estadual de combate à tuberculose tem atuado principalmente em 10 cidades que representam 47% dos casos no Estado. As cidades são Paranaguá, Curitiba, Pinhais, São José dos Pinhais, Ponta Grossa, Guarapuava, Londrina, Cascavel, Maringá e Foz do Iguaçu. “Essas cidades foram escolhidas por estarem com mais de 100 mil habitantes e apresentarem um índice de coeficiência muito alto”, explica Elisabeth.
 
       Regionais – As Regionais de Saúde tem desempenhado um importante papel no combate à doença. A 2a Regional, com sede em Curitiba, além de encaminhar materiais informativos para os municípios de sua abrangência, tem repassado informações para pacientes que utilizaram a Farmácia Especial e Centro Regional de Especialidades (CRE Metropolitano).
 
       De acordo com a diretora da 2a Regional de Saúde, Marinalva Gonçalves da Silva, o CRE Metropolitano é referência no tratamento de tuberculose para o município de Curitiba, Região Metropolitana e até Santa Catarina. “Quando a pessoa está doente e a unidade básica de saúde não pode atender, os médicos encaminham o paciente para o CRE e damos continuidade ao tratamento”, avisa.

       O médico tisiologista do CRE Metropolitano, Ronaldo Mazza dos Santos, explica que primeiramente as pessoas são atendidas nas Unidades Básicas de Saúde e caso apresentem problemas durante o tratamento são encaminhadas a centros especializados como o CRE Metropolitano. “Os pacientes que chegam para nós, normalmente apresentam problemas que são difíceis do posto de saúde tratar. A maioria apresenta alergia durante os cuidados, hepatite medicamentosa ou algum problema no tratamento básico”.

       O centro raramente pede a internação do paciente, a não ser quando o caso é muito grave. O tempo de tratamento é no mínimo seis meses e não pode ser interrompido. Santos explica que existem três tipos de tratamento. No primeiro, que são os cuidados convencionais, são utilizados três medicamentos diferentes. “Esta técnica já é usada desde 1980 e é considerada a melhor”.

       O médico disse que qualquer mudança de medicamento, a pessoa passa para o segundo tipo de tratamento, onde são usados quatro tipos de medicação. Ainda, segundo o médico, existe mais um tratamento, que é indicado para casos crônicos da doença ou para pessoas que apresentam resistência aos outros tratamentos. Nesse caso são usados cinco medicações e o tempo de uso é de 18 meses. “Entre 90% a 95% das pessoas contaminadas, o próprio organismo combate o bacilo”, acrescentou.

       O bacilo pode permanecer de duas semanas a 20 anos no organismo da pessoa, mas a média de tempo para a pessoa ficar doente é de seis a oito semanas.

       A 17a Regional de Saúde, em Londrina, encaminhou aos profissionais de saúde informações contendo dados epidemiológicos da doença e solicitando que ficassem atentos aos pacientes que apresentam tosse excessiva e sintomas clínicos. “É necessário que os profissionais se envolvam mais na busca pelo controle da doença”, alerta a assistente social sanitarista da sessão de epidemiológica da Regional de Saúde, Maria Célia Auzec. O número de casos da doença registrado na Regional em 2006 foi de 12,4 para cada 100 mil habitantes. Já o índice de tuberculose de todas as formas foi de 24,2 para cada grupo de 100 mil.

       Hospital – O Hospital Regional São Sebastião na Lapa é considerado referência no atendimento à tuberculose desde 2001. O hospital atende pacientes com tuberculose desde 1927. A unidade possui 68 leitos, trata de 52 homens e 16 mulheres, atualmente. Os pacientes ficam no hospital em média quatro meses para fazer o tratamento.

       Segundo a enfermeira chefe da tisiologia, Yuri Moribe, os pacientes que ficam internados são os que tiveram algum problema no tratamento em casa, quer seja por abuso de álcool, devido ao vírus HIV ou que tiveram algum problema social e não conseguiram fazer o tratamento no seu domicilio. “A maioria dos pacientes começa o tratamento em casa, mas devido a algum fator extra, acabam vindo para o hospital para terminar o tratamento”, explica.

       O hospital está passando por uma reforma estrutural. As obras estão sendo feitas em duas etapas. A primeira foi concluída no ano passado, com investimento de R$ 500 mil. Foi inaugurada a clínica médica no primeiro semestre de 2006, com 42 leitos. “Estamos melhorando o hospital para que possamos levar para os pacientes mais qualidade no tratamento”, explica o diretor do hospital, coronel Antônio José Lemos.

        Devido ao Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, o hospital realizará, na próxima segunda-feira (26), uma palestra com a enfermeira chefe da tisiologia e uma apresentação de uma peça de teatro encenada por pacientes internados na tisiologia.

       Doença – A tuberculose é uma doença contagiosa que mata mais gente do que qualquer outra no mundo. A tuberculose pode atingir os rins, ossos, pleura, meninges e gânglios. Apesar disso, a tuberculose tem cura, se tratada corretamente.

       A doença é causada pelo bacilo Mycobacterium tuberculosis, também conhecido como bacilo de Koch e é transmitida pelo ar. A pessoa contaminada transmite a doença por meio da fala, espirro ou tosse.

       Uma das formas de prevenção da tuberculose é a vacina BCG, que os bebês recebem ainda na maternidade ou nos postos de saúde. a vacina é obrigatória para menores de um ano e está indicada para crianças até os quatro anos.

       Para quem já tem o bacilo, o tratamento é feito durante seis mesmos sem poder deixar de tomar o medicamento um só dia. Os principais sintomas são muita tosse, dor no peito, febre baixa no final da tarde, suor noturno, emagrecimento e cansaço fácil.


Colaboração:  Marlene Lagos

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